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Tragédias no Brasil: Santa Maria, Rio de Janeiro, Xerém e outras cidades

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zeca pagodinho xerém Rio de Janeiro

luto santa maria

Mais uma tragédia acontece no Brasil e agora no Rio Grande do Sul. Lembram de Xerém? Lembram de outros acontecimentos assim como aquela Igreja que desabou com fiéis dentro?

De quem é a culpa? Quem é a pessoa culpada? Esta é a frase surge sempre DEPOIS que acontece uma fatalidade destas.

Embora alguém possa ter causado tal tragédia de algum certo modo, a culpa verdadeira é da FALTA DE PLANEJAMENTO E DA TAL MENTALIDADE da “festa, piadinha sobre coisas sérias”, falta de preparação e falta de educação do povo sobre aspectos de base de segurança que deixam sempre pessoas em risco. Mas agora tem o carnaval, né? O Brasil para por esta “festa popular” e logo tudo vai ser esquecido.

Esta mesma mentalidade que nos faz votar mal, que nos faz valorizar coisas ruins, que relativiza tudo sem objetividade, que nega o senso comum em coisas simples, que nos faz procurar pelos em ovos e nunca tentar solucionar de modo mais simples, que nos faz fazer brincadeiras com coisas sérias e sem respeitar os outros. Esta mentalidade matou os jovens em Santa Maria.

A culpa é desta mentalidade idiota de jeitinhos e de querer renegar o que qualquer ser racional resolveria em segundos. A culpa é desta nossa mentalidade carnavalesca como citamos nos posts anteriores. Nossa mentalidade Copa do Mundo. Sim, é esta mentalidade que nos fere a cada dia.

Em Xerém foi a enchente que levou Zeca Pagodinho as ruas. Ele foi ajudar de bom grado. Mas era clara a falta de preparo de profissionais que trabalham em casos assim que aconteceram antes mas ninguém se preparou para evitar ou melhorar. E nem é a culpa de quem ajuda no momento pois também falta equipamento e treinamento. Culpados são quem comandam e administram eles e renegam o preparo, treinamento que somados ao planejamento e educação do povo sobre segurança poderia ter salvo muitas vidas.

Falando com o meu pai que trabalhou como bombeiro quando jovem, ele me lembrou que no exterior isso acontece também e me deu exemplos. Mas depois de uma vez as pessoas se preparam e nunca levam segurança como brincadeira. As pessoas aprendem com seus erros. Não existem relativismos e nem negar o senso comum. Segurança é coisa séria. Mas quem aqui no Brasil leva as coisas a sério se o Carnaval, Copa do Mundo e tudo o mais merecem mais atenção? Agora tem carnaval, tem o BBB e tudo o mais. E existem aquelas pessoas que fazem piadinhas sem graça pois isso é “humor negro” e vontade de se expressar. Abutres sem alma.

Nesta nossa falta de planejamento e prioridades como aqui outras autoras sempre falam, colocamos policiais sem estrutura emocional para lidar com pessoas, criamos a famosa consumação (que é ilegal), colocamos seguranças que recebem ordens de idiotas que não possuem o bom senso de segurança coletiva e preferem que pessoas queimem vivaas ao invés de abrir uma porta (para muitas pessoas). E nos afirmamos como racionais.

Isso talvez seja fruto da mentalidade brasileira, das piadinhas sobre coisas séria e porque o Brasil (por sorte) nunca sofreu com desastres naturais como tornados, nevascas, avalanches, tsunamis, etc. Pensamos que um acidente ou tragédia nunca possa acontecer conosco. E nunca encaramos as coisas com seriedade. Nunca nos antecipamos ou planejamos prevenir um problema se algo acontece de modo imprevisto. E ficamos sem saber o que fazer depois 😦

Neste caso agora no Rio Grande do Sul, parece que o lugar possuia somente uma entrada e sem portas para sair em casos de perigo. Se adicionarmos agora pessoas em uma festa, bebidas, um perigo, terror coletivo e desespero podemos ver o resultado. O mesmo aconteceu em Xerém, quando as causas foram outras mas a mentalidade desesperada foi a mesma. E isto serve para muitos exemplos aqui.

Aqui no Brasil ainda algumas pessoas fazem piadas com isto. Sim, piadas com a desgraça de outras pessoas. Somos os “macacos bem humorados de bem com a vida que sorriem de tudo, até de desgraças”. Ninguém é humilde em dizer que errou ou usar de senso comum e empatia para resolver problemas.

Nossos pesames aos familiares que perderam pessoas queridas. Que esta triste fatalidade espalhe para o Brasil o planejamento e educação sobre segurança que devem ser encarado com seridade e fiscalizados. Sem brincadeiras. Imprevistos e perigo são coisas sérias que podem gerar morte. Sem treinamento e no desespero as pessoas deixam de pensar. Seria muito bom também pararmos de fazer piadinhas sobre assuntos sérios e que talvez demonstre o caos em muitos setores da nossa sociedade. A culpa e responsabilidade de tudo são e serão sempre nossas. O povo faz uma sociedade melhor e não deve tirar a responsabiliade de si mesmo.

Se alguém se revolta com algo injusto é taxada ou taxado. Ainda bem que existem revoltadas e revoltados. Ainda possuimos esperanças e devemos exigir melhorar, sem relativizar e devemos exigir objetividade em assuntos sérios.

Esta frase no facebook resume um pouco o que falamos acima:

“O que aconteceu em Santa Maria deveria nos fazer pensar. Aqui na Inglaterra tenho tido algumas experiências com equipes brasileiras que precisam filmar na cidade. A primeira coisa que faço é alertar para a rigidez das regras de segurança dos ingleses. Aqui graças aos céus, segurança é uma neurose. Já tive algumas experiências desagradáveis como a de receber email de autoridades reclamando do comportamento dos brasileiros em relação aos procedimentos de segurança. Não vou entrar em detalhes por questão de profissionalismo, mas vendo o que aconteceu no Rio Grande do Sul, não dá para evitar a reflexão. É claro que nenhum lugar no mundo está imune a tragédias, mas o que aconteceu nesse clube noturno, claramente, tem a ver com prevenção e preocupação com a segurança das pessoas que pagam para ali se divertirem. Não sei qual é o tamanho da população de Santa Maria, mas difícil imaginar que haja uma só pessoa na cidade que não tenha perdido um parente, um amigo, um conhecido. Mas o mais triste, sabendo como funciona a justiça no Brasil, é imaginar a duração do sofrimento na longa, cansativa e, em geral, vã peregrinação em busca de punição para os culpados. Quantas vezes ouvi durante algumas produções aqui: “como estes ingleses são chatos, não têm jogo de cintura, flexibilidade. Eu digo: felizmente, quando se trata de segurança eles são chatos, inflexíveis e sem jeitinho. Tomara que continuem assim. E tomara que a gente tenha a humildade de reconhecer que estamos errados e deveríamos aprender com eles e mudar. Além da perda de vidas, a grande tragédia é que um fato como esse sequer sirva para reflexão.”

Cenas de incêndios e desastres mundo afora que podem servir de alerta. Segurança é coisa séria. Prevenir e planejar nunca é demais